Garagem Hermética … para colorir a dedicatória

Depois de pouco mais de um ano de atraso comecei a ler o “Para Colorir” do Ricardo Cury (ex. Dinky-Dau, brincando de deus, ZecaCuryDamm e váaarias outras bandas) … antes disso conversando com o amigo de longa data Sérgio “Batman” (ex. Stranger’S) ele havia me falado do livro, foi quando decidi procurar novamente os contatos do Cury e adquirir meu exemplar … consegui pegá-lo dia 26 de fevereiro de 2009 e na dedicatória veio “Pivni, na verdade esse negócio de escrever começou quando um amigo me convidou para colaborar com um fanzine chamado Garagem Hermética. Você é um dos culpados. Abração, Ricardo Cury“. … neste mesmo dia o Cury me falou que Rogerão Big Brother deixou com um ele uma das suas caixas com flyers, fanzines, demos e afins da cena alternativa dos anos 90 e nesse bolo alguns exemplares do Garagem Hermética, o tal faznine …

A história do Garagem Hermética tem início em 1995, não me recordo o mês, quando eu decidi escrever algumas coisas sobre algumas bandas de Salvador, foram três páginas grampeadas, tudo tosco, feito à mão, haviam algumas colagens, me lembro bem … as matérias eram colagens … eu escrevia no Word, dimensionava, imprimia, cortava e colava no papel, fazendo assim a diagramação do troço … nesta edição eu fiz tudo e chamei o amigo Henrique “Simpson” para ajudar que na época conseguiu fazer 50 cópias do bizarro jornalzinho … passaram-se alguns meses e decidi fazer o segundo número, desta vez bem maior e então convidei mais dois amigos, o Ricardo Cury e o Pedro “Bó” (ex. Dinky-Dau, Mutation Lab e Sangria), o fanzine ganhou mais páginas e capinha colorida (quer dizer, a impressão era P&B mesmo, mas o papel era colorido hehehe a do segundo número foi azul) … muitos erros de português e uma ousadia fora do comum, não me lembro quantas cópias foram, mas fizemos uma boa distribuição, imprimimos em LaserJet e fomos distribuir nas portas dos shows, este já foi totalmente diagramado com Corel Draw e ficou bem mais “bonitinho”, com cara de revista, tamanho A4 … a gente estava se achando “os caras” … logo, logo fizemos o número 2, com capinha amarela … ficou bala … dai fomos até nem sei mais que número, me lembro do número 5 cuja capa foi branca e vinha com um desenho feito pelo Daniel (ex. Dinky-Dau e Mutation Lab) … com o tempo e atribuições da Dinky-Dau tanto Cury quanto Pedro se afastaram do fanzine e eu passei a fazer em outro formato (A3) e a contar com outras contribuições e colaboradores como a ZeZaZ e a Betty K. que passaram a contribuir especialmente com entrevistas … e assim fui até 1997 com 16 edições, o fanzine mais longo de Salvador …

Bom, voltando ao que estava falando antes de contar a história do fanzine, o Rogério Big Brother deixou com Cury a tal caixa e combinamos então de triar este material e tentar resgatar alguma coisa para uma “amostra” … em paralelo a isso o atual Dj. Mauro Telefunksoul (ex. Porcos Falantes e Zambotronic) me lembrou de um projeto que tínhamos, eu, ele e ZeZaZ a um ano ou um pouco mais atrás de lançar uma coletânea com as milhares de fitas demo que tínhamos da década de 90 como uma forma de resgatar um pouco dessa história … essa idéia, a triagem do material e os textos tanto do livro “Para Colorir” quanto do blog “Eu tava aqui pensando ou Blá, Blá, Blá” me deixaram (mais uma vez) saudoso e acabei criando esse blog … meio imitando a atitude do Cury … meio voltando e me prendendo um pouco ao tempo nos anos 90 … o que eu sei é que tem muita coisa pra contar e que este blog não irá virar um livro.

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